quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Desinventando

1.
Foi grande o meu amor,
não sei o que me deu
quem te inventou fui eu.


construí um lar, plantei sonhos, esperanças
e muito do que chamam de amor.
olho para ela e esvaziada de sentido 
insisto em chamá-la de minha casa

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Falso Déjà vu de uma segunda gorda

Esqueci de mencionar, (que coisa!)
A conversa foi a mesmíssima. Porém, só no meio dela que puderam se lembrar da outra.
Estavam a preencher o longo questionário de um primeira conversa: Quantos anos, o que faz, onde trabalha, se trabalha e de repente pararam frente a frente e em uníssono: Já tivemos essa conversa, e vieram os risos, ambos tinham se esquecido que conversaram sobre aquele assunto, exatamente o mesmo e até as perguntas foram feitas na mesma ordem.
Vagos de memórias curtas e quem sabe longas, eis que somos... Contemporâneos!

Há sempre uma linha que separa o encontro e o desencontro.
Quem sabe seja circular.
morte à esperança.

domingo, 25 de dezembro de 2011

sangrará sempre, em qualquer circunstância a dor de agora.
doerá sempre, em qualquer circunstância a dor de agora.
a dor se torna maior com o tempo que circula nas veias como ácido ferindo cada parte desse corpo
e nenhuma medida será veto nesse voto unanime.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

(ti)laceremo-me

"os cacos-de-vidro cortam mais que as facas"

o tempo, tempo, tempo já não tá dizendo mais nada. e olha que ele disse que iria passar.
essa coisa de tempo me incomoda muito. dizem as línguas por aí que-vai-passar, que o tempo cura e o escambau. não vi cura nenhuma, não vi dor passar. meu estômago ainda vibra estridentemente a cada passo que eu te vejo dar sem mim. sento-me numa mesa de bar todos os dias para ocupar o tal do tempo ocioso que "tenho", embriago-me de cerveja e cigarros e quando olho no relógio e pro calendário que o acompanha, os vejo se transformar paulatinamente. mas meus batimentos cardíacos não mudam. continuam acelerados, as vezes tanto quanto o tempo que passa, me deixando cada vez mais longe do último abraço-beijo-aperto-de-mão, as vezes tanto quanto o tempo que separa o ponteiro do relógio de um segundo ao outro, quando insisto em ficar olhando pra eles durante vários minutos. os meus órgãos dão os mesmos sinais de quando essa saudade que insiste em habitar esse corpo doentio, era menor. o tempo não cura ninguém e ouvi isso numa mesa de bar, de quem tem o relógio cravado na carne, escorrendo e dilacerando por cada segundo-minuto-hora. o tempo me fode em todos os tempos. 

I know it's Over, grita o Morrissey
eu sinto em dizer I do!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

. final

cérebro cheio de curvas
curvas cheias de mais curvas
interrogação

coração cheio de veias
veias cheias de sangue
pulsação

e quando eu penso o tempo passa
num espaço sub-humano de vísceras arrancadas por melodramas inventados.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

"primeiro como tragédia
depois como farsa


Pode ser assim que tudo realmente aconteça, até as histórias mais cotidianas"


mar, imenso mar, você mudou
e eu não fiquei pra trás
vim e não fui o mesmo nunca mais
o olhar já não é o mesmo e o meu coração também não
ou a minha mente, não sei
talvez tenha me tornado muito de um eu-mesmo-mais-de-um-outro
talvez seja farsa, talvez farsa trágica.

(e ainda assim penso que as ondas vão e voltam, não sem se transformarem).