segunda-feira, 16 de junho de 2014

desfecho

abriu a porta e saiu correndo para outros braços,
mais altivos e menos escorregadios.
deixou o colchão manchado
e com algum vão a mais, quase inexplicável
foi corrupto desvendando meus olhos
da mais profunda e tranquila escuridão
queimei a vista com o sol que vinha da janela daquele apartamento
vários maços  de cigarros espalhados pelo quarto
como o coração, enganado
tranquei a porta e me deitei nu
sobre a minha própria cinza.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

There’s nowhere to run away

There’s nowhere to run away, said:
“Boy if you want love,
You’ll have to go and find it with someone new”
“Do you know who you really are?
Are you sure it’s really you?”
Lies are a funny thing
They slip through your fingertips
Because they never happened to you
Time wounds all the heals
As we fade out of view
(QOTSA)


sexta-feira, 6 de junho de 2014


terça-feira, 8 de abril de 2014

Keys on Door

a porta esteve trancada por muito tempo e de repente ela se abriu de um sobressalto fazendo tremer todos os móveis da sala e os órgãos do corpo. manso, entrou sem dizer nenhuma palavra e permaneceu sentado no assento mais próximo da saída, como quem diz que sairá logo. não saiu. permanece a rodar a chave no dedo indicador infinitamente, fazendo aquele barulho que já não me sai da cabeça.
eu, que me aprontara todo pra sair e ir trombar as pessoas nas ruas cheias, mesmo que elas, elas mesmas, as pessoas, permanecessem vazias, como disse a poeta amiga, desisti da saída, perdi todo o tesão e me sentei no parapeito da janela fumando meus cigarros enquanto olhava atentamente aquelas chaves fazendo círculos infinitos como a fumaça do cigarro batendo no teto branco. minhas poucas ações resultaram em copos de água, ora cheios, ora vazios, mais nada.
tranque essa porta, por dentro ou por fora. há maços de cigarro para vida inteira aqui.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

one step a time, one step a time, one step a time...
repetia pra si mesmo copiosamente, a frase que só agora fazia todo o sentido.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Incrível
encontrar paz
no centro da tempestade.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Extranjero

Nos sonhos as coisas se tornam mais reais do que nos encontros casuais em que ele sempre quebra o pescoço no sentido contrário do outro evitando a troca de olhares. Nos sonhos o rosto dele parece visível em cada traço e não mais no embaçado do real, vultuoso e insensível. Os dentes cerrados e miúdos demonstram uma quase insatisfação, a boca com seu lábio superior ressacado e o outro mordido pelos stress, de que tanto o outro reclama. A barba por fazer cobre a metade do rosto e no sonho é possível sentir cada pêlo arranhando suavemente a pele lisa do rosto do outro. Os olhos redondos de um castanho único que sempre brilhava mais com o sol que batia direto da janela da cozinha nas tardes de sábado, rodeados por leves tons negros eram ora grandes como jabuticabas numa versão castanha, ora pequenos cobertos quase totalmente pelos cílios. 
Olhando diretamente respondeu mal a pergunta matinal do outro:

Dois pães amor?
Claro!

Acordou sem nenhuma mágoa desse mau humor matinal dele. Riu-se todo do feito e repetiu para si mesmo - Memórias, memórias, memórias. De tudo só restam memórias.

Ahora soy (yo) um forastero
Mirándote girar
Deseando ahora no ser
(mas) Extranjero