terça-feira, 8 de abril de 2014
Keys on Door
a porta esteve trancada por muito tempo e de repente ela se abriu de um sobressalto fazendo tremer todos os móveis da sala e os órgãos do corpo. manso, entrou sem dizer nenhuma palavra e permaneceu sentado no assento mais próximo da saída, como quem diz que sairá logo. não saiu. permanece a rodar a chave no dedo indicador infinitamente, fazendo aquele barulho que já não me sai da cabeça.
eu, que me aprontara todo pra sair e ir trombar as pessoas nas ruas cheias, mesmo que elas, elas mesmas, as pessoas, permanecessem vazias, como disse a poeta amiga, desisti da saída, perdi todo o tesão e me sentei no parapeito da janela fumando meus cigarros enquanto olhava atentamente aquelas chaves fazendo círculos infinitos como a fumaça do cigarro batendo no teto branco. minhas poucas ações resultaram em copos de água, ora cheios, ora vazios, mais nada.
tranque essa porta, por dentro ou por fora. há maços de cigarro para vida inteira aqui.
eu, que me aprontara todo pra sair e ir trombar as pessoas nas ruas cheias, mesmo que elas, elas mesmas, as pessoas, permanecessem vazias, como disse a poeta amiga, desisti da saída, perdi todo o tesão e me sentei no parapeito da janela fumando meus cigarros enquanto olhava atentamente aquelas chaves fazendo círculos infinitos como a fumaça do cigarro batendo no teto branco. minhas poucas ações resultaram em copos de água, ora cheios, ora vazios, mais nada.
tranque essa porta, por dentro ou por fora. há maços de cigarro para vida inteira aqui.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Extranjero
Nos sonhos as coisas se tornam mais reais do que nos encontros casuais em que ele sempre quebra o pescoço no sentido contrário do outro evitando a troca de olhares. Nos sonhos o rosto dele parece visível em cada traço e não mais no embaçado do real, vultuoso e insensível. Os dentes cerrados e miúdos demonstram uma quase insatisfação, a boca com seu lábio superior ressacado e o outro mordido pelos stress, de que tanto o outro reclama. A barba por fazer cobre a metade do rosto e no sonho é possível sentir cada pêlo arranhando suavemente a pele lisa do rosto do outro. Os olhos redondos de um castanho único que sempre brilhava mais com o sol que batia direto da janela da cozinha nas tardes de sábado, rodeados por leves tons negros eram ora grandes como jabuticabas numa versão castanha, ora pequenos cobertos quase totalmente pelos cílios.
Olhando diretamente respondeu mal a pergunta matinal do outro:
Dois pães amor?
Claro!
Acordou sem nenhuma mágoa desse mau humor matinal dele. Riu-se todo do feito e repetiu para si mesmo - Memórias, memórias, memórias. De tudo só restam memórias.
Ahora soy (yo) um forastero
Mirándote girar
Deseando ahora no ser
(mas) Extranjero
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Então é Natal?
o moço deitado na esquina,
então é natal?
as moças atordoadas atrás do balcão,
então é natal?
o moço carregando o caminhão cheio de terra,
então é natal?
pessoas loucas no trânsito com suas buzinas e aceleração de segundos,
então é natal?
pra quem é natal?
então é natal?
as moças atordoadas atrás do balcão,
então é natal?
o moço carregando o caminhão cheio de terra,
então é natal?
pessoas loucas no trânsito com suas buzinas e aceleração de segundos,
então é natal?
pra quem é natal?
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
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